Numa tarde de abril, o mar se deparou com uma onda. Apesar do costume com a calmaria, achou divertido observar a pequena onda fazer tanto alvoroço com sua chegada. Curioso para saber como seria ceder um pouco de seu espaço, deixou-a ficar e, aos poucos, foi se encantando com o modo de ser dela.
Certo dia, a onda começou a se agitar de forma diferente, fazendo com que o mar descobrisse o que era estar vivo. Confuso e muito assustado com as novas emoções, ele resolveu fugir.
Procurando por pousada, o mar achou somente um riacho sequíssimo. Cansado de sua busca, resolveu ali se abrigar. Pensando que nada nesta vida é perfeito, acreditou que sua decisão lhe traria paz e segurança; todavia, o que conseguiu foi apenas ser oprimido por aquele pequeno espaço.
Parado, sem perceber, aos poucos o mar foi se evaporando e perdendo sua imensidão. Reduzindo-se a gotas, o mar sentiu muita saudade da onda e resolveu voltar. Porém, achou injusto retornar sem sua imensidão para ofertar a ela.
Então, esperou chover. De mar, transformou-se em oceano, buscou sua amada Onda e com ela se abrigou no infinito.
Daniela Nunes

